Todas as manhãs me sento na mesa da cozinha a comer o meu iogurt e aproveito para ler o "programata" da cidade apesar de estar em cirílico e eu ter muitas vezes de assumir aquilo que lá não está escrito. A cozinha é naturalmente mais fria mas como já tenho os meus lindos chinelos de quarto (parecem uns gatinhos!) já não me sinto a gelar. Passo pelo quarto da Maddie que é onde entra o sol de manhã directamente e sento-me na cama a conversar. Até pode estar um frio de rachar lá fora, mas o calor que entra pela janela, dupla de portadas de madeira, aberta aquece qualquer manhã "mais fria".
O timing da rotação da Terra é perfeito! O sol passa para as janelas do nosso quarto perto da 13h da tarde, a manhã da Joana, e assim podemos desfrutá-lo ao máximo..
Finalmente, com colheres de pau, tostadeira, molas, batatas e cebolas nos armários, nos sentimos em casa.. Em casa! Dá para acreditar?
Mas o caminho percorrido para chegar a este sentimento familiar não foi tão simples como isso.
Já em Veliko Tarnovo tentámos contactar as agências com quem já havíamos falado quando em Sofia para lhes pedir que voltassem à busca de apartamento, agora noutros módulos (mais a Madlen e também um apartamento para os rapazes Adrien, Malte e Niclas). As duas raparigas das duas agências falavam um inglês razoável e prometeram ajudar-nos. Mas claro! Obedecendo à boa lógica Búlgara foram deixando sempre tudo "para amanhã". Nós, já em Sofia, num hostel, prestes a começar as aulas (o que se revelou não ser bem assim) só queríamos encontrar um sítio para viver!
Apesar de todos os problemas que vamos tendo, onde quer que vamos, o que quer que façamos, quando estamos em apuros aparece sempre alguém para nos ajudar. E aqui foi a Natasha, uma senhora mais velhinha que toma conta do hostel onde estávamos e que, à revelia da própria dona do hostel, nos quis ajudar! "Já fui estrangeira num país e sei o que custa não ter ninguém e não falar a língua!", e assim telefonou para uma sua amiga duma agência e com ela gritou ao telefone as condições em que nós queríamos uma casa para que ficasse tudo muito claro. No dia seguinte, já de mapa na mão e não muito certos de que sairíamos vencedores deste percurso, dirigimo-nos à tal pequena agência na avenida Maria Luísa.
Uma senhora grande e sorridente nos abre a porta do que nos parece ser uma casa transformada em empresa e encaminha-nos para um escritório onde nos oferece sumo e bolinhos. Ai como não nos importaríamos de ali viver com aquela "mãe" a tomar conta de nós...
Mas aqui começa o problema: grande barreira comunicacional- nenhuma das duas senhoras fala inglês!!
Aponta-se o mapa, rimo-nos, diz-se as poucas palavras que sabemos em búlgaro sobre mobília e número de quartos, aceitam-se biscoitos e não se bebem sumos, a Joana desenha numa folha um menino e uma menina para explicar que o que queremos é diferente, novamente nos rimos, o Niclas enerva-se com a confusão, eu faço um esforço para perceber o que a senhora diz sem conseguir evitar rir-me novamente. Passamos o próprio dia a ver apartamentos com uma das senhoras, a tentar conversar com ela- o que estudo, de onde venho, se gosto disto, o que acho daquilo, que já fazíamos uma sesta, que "Tarnovo é rubavo"- e no fim do dia já temos casa escolhida e no dia seguinte já estamos mudadas.
Um-zero para nós nesta que está a ser a maior batalha comunicacional das nossas vidas!
Às vezes mais vale o difícil àquilo que aparenta ser simples...

2 comentários:
às vezes só o tempo faz com que nos apercebamos o quanto algumas coisa ou alguém nos faz falta...neste caso são vocês! pois é, à medida que o tempo vai passando e a azáfama deste novo ano e de todas as mudanças que aconteceram vai passando, vão fazendo falta as pequenas coisas do dia a dia...aquelas que eu rezava que acabassem (como -o: desligue a televisão(nao tenho dormido nada), -ou: venha ali comigo ao centro(qd nao me apetecia mesmo nada ou tinha começado uma dieta nesse dia(lol)! -ou: não dormir nada porque "alguém" está a rir às gargalhadas a horas a que ja ninguem está supostamente acordado...)
E verdade sim senhoras. tenho saudades vossas!
ainda bem que decidiram ter este blog! sempre que vou ao computador (que nao é muitas vezes), venho ca saber de vocês! Ainda bem que está tudo a está tudo a correr bem!
Um grande beijinho lindinhas! até ao meu próximo momento de "inspiração"(?)
Os biscoitinhos eram bons? Porque não aceitaram os sumos? Gosto particularmente das vossas montagens de super-heroínas!
Amiguinhas, rita, como me disseste, isto [porque estão/estamos a passar] é crescer! Para além de ter mais facilidade em compreender as pessoas deste país do que voces aí, acreditem que a vossa aventura será muito mais divertida do que a minha e sempre se têm uma à outra. As coisas começam-se a orientar, i see!! Força, é que temos! E quando vltarmos para Portugal sempre temos algo para contar, embora nem todas as pessoas o cheguem a perceber,mesmo que digam que percebem. Afinal de contas, há coisas que só passando por elas conseguimos perceber o que realmenté são!
Quanto ás aulas que vão ser traduzidas pelo neto, tenho-te a dizer que, se o rapaz foi jeitoso, aproveita! Lol Quanto à professora que fala um francês minimo,improvisa. E relativamante ao não teres aulas, por assim dizer, aproveita e conhece Sofia a cada canto!
Boa Sorte!
Enviar um comentário