terça-feira, 14 de outubro de 2008

Atanas Daltchev, nomer devit, dva etage. Do Hotel Pliska

Abro as cortinas da sala de manhã e espreito a rua lá fora. Há sempre gente a passar e pela quantidade de casacos que as pessoas na rua levam nem preciso de ir à varanda para ver como está o tempo.
Todas as manhãs me sento na mesa da cozinha a comer o meu iogurt e aproveito para ler o "programata" da cidade apesar de estar em cirílico e eu ter muitas vezes de assumir aquilo que lá não está escrito. A cozinha é naturalmente mais fria mas como já tenho os meus lindos chinelos de quarto (parecem uns gatinhos!) já não me sinto a gelar. Passo pelo quarto da Maddie que é onde entra o sol de manhã directamente e sento-me na cama a conversar. Até pode estar um frio de rachar lá fora, mas o calor que entra pela janela, dupla de portadas de madeira, aberta aquece qualquer manhã "mais fria".
O timing da rotação da Terra é perfeito! O sol passa para as janelas do nosso quarto perto da 13h da tarde, a manhã da Joana, e assim podemos desfrutá-lo ao máximo..
Finalmente, com colheres de pau, tostadeira, molas, batatas e cebolas nos armários, nos sentimos em casa.. Em casa! Dá para acreditar?

Mas o caminho percorrido para chegar a este sentimento familiar não foi tão simples como isso.
Já em Veliko Tarnovo tentámos contactar as agências com quem já havíamos falado quando em Sofia para lhes pedir que voltassem à busca de apartamento, agora noutros módulos (mais a Madlen e também um apartamento para os rapazes Adrien, Malte e Niclas). As duas raparigas das duas agências falavam um inglês razoável e prometeram ajudar-nos. Mas claro! Obedecendo à boa lógica Búlgara foram deixando sempre tudo "para amanhã". Nós, já em Sofia, num hostel, prestes a começar as aulas (o que se revelou não ser bem assim) só queríamos encontrar um sítio para viver!
Apesar de todos os problemas que vamos tendo, onde quer que vamos, o que quer que façamos, quando estamos em apuros aparece sempre alguém para nos ajudar. E aqui foi a Natasha, uma senhora mais velhinha que toma conta do hostel onde estávamos e que, à revelia da própria dona do hostel, nos quis ajudar! "Já fui estrangeira num país e sei o que custa não ter ninguém e não falar a língua!", e assim telefonou para uma sua amiga duma agência e com ela gritou ao telefone as condições em que nós queríamos uma casa para que ficasse tudo muito claro. No dia seguinte, já de mapa na mão e não muito certos de que sairíamos vencedores deste percurso, dirigimo-nos à tal pequena agência na avenida Maria Luísa.
Uma senhora grande e sorridente nos abre a porta do que nos parece ser uma casa transformada em empresa e encaminha-nos para um escritório onde nos oferece sumo e bolinhos. Ai como não nos importaríamos de ali viver com aquela "mãe" a tomar conta de nós...
Mas aqui começa o problema: grande barreira comunicacional- nenhuma das duas senhoras fala inglês!!
Aponta-se o mapa, rimo-nos, diz-se as poucas palavras que sabemos em búlgaro sobre mobília e número de quartos, aceitam-se biscoitos e não se bebem sumos, a Joana desenha numa folha um menino e uma menina para explicar que o que queremos é diferente, novamente nos rimos, o Niclas enerva-se com a confusão, eu faço um esforço para perceber o que a senhora diz sem conseguir evitar rir-me novamente. Passamos o próprio dia a ver apartamentos com uma das senhoras, a tentar conversar com ela- o que estudo, de onde venho, se gosto disto, o que acho daquilo, que já fazíamos uma sesta, que "Tarnovo é rubavo"- e no fim do dia já temos casa escolhida e no dia seguinte já estamos mudadas.
Um-zero para nós nesta que está a ser a maior batalha comunicacional das nossas vidas!

Às vezes mais vale o difícil àquilo que aparenta ser simples...

2 comentários:

Anónimo disse...

às vezes só o tempo faz com que nos apercebamos o quanto algumas coisa ou alguém nos faz falta...neste caso são vocês! pois é, à medida que o tempo vai passando e a azáfama deste novo ano e de todas as mudanças que aconteceram vai passando, vão fazendo falta as pequenas coisas do dia a dia...aquelas que eu rezava que acabassem (como -o: desligue a televisão(nao tenho dormido nada), -ou: venha ali comigo ao centro(qd nao me apetecia mesmo nada ou tinha começado uma dieta nesse dia(lol)! -ou: não dormir nada porque "alguém" está a rir às gargalhadas a horas a que ja ninguem está supostamente acordado...)
E verdade sim senhoras. tenho saudades vossas!
ainda bem que decidiram ter este blog! sempre que vou ao computador (que nao é muitas vezes), venho ca saber de vocês! Ainda bem que está tudo a está tudo a correr bem!
Um grande beijinho lindinhas! até ao meu próximo momento de "inspiração"(?)

Catarina disse...

Os biscoitinhos eram bons? Porque não aceitaram os sumos? Gosto particularmente das vossas montagens de super-heroínas!
Amiguinhas, rita, como me disseste, isto [porque estão/estamos a passar] é crescer! Para além de ter mais facilidade em compreender as pessoas deste país do que voces aí, acreditem que a vossa aventura será muito mais divertida do que a minha e sempre se têm uma à outra. As coisas começam-se a orientar, i see!! Força, é que temos! E quando vltarmos para Portugal sempre temos algo para contar, embora nem todas as pessoas o cheguem a perceber,mesmo que digam que percebem. Afinal de contas, há coisas que só passando por elas conseguimos perceber o que realmenté são!
Quanto ás aulas que vão ser traduzidas pelo neto, tenho-te a dizer que, se o rapaz foi jeitoso, aproveita! Lol Quanto à professora que fala um francês minimo,improvisa. E relativamante ao não teres aulas, por assim dizer, aproveita e conhece Sofia a cada canto!
Boa Sorte!