Foi hoje!
Hoje consegui ser a 1ª a levantar-me! Sem o sol a bater na janela, sem o quentinho no quarto a diminuir a resistência de sair da cama.
Foi hoje que o despertador foi ouvido e entendido!
Consegui sair à hora prevista para me encontrar com o Professor Draganov (leia-se Dra-gá-nóv, acentuação no 2º A).
Com um boião na mão por abrir, botas por apertar, cabelo por “arranjar”, camisolas bem quentinhas de gola alta, “vamos lá que hoje tá sol”!
Mas foi hoje que olhei a nossa rua, o nosso bairro, esta cidade, pela 1ª vez!
Está um dia mesmo bonito!
Lá em cima, nas montanhas, a neve brilha com o sol nela chapado. Cá em baixo a cidade ganha outra cor!
Não sei se era por orgulho ou teimosia que não via nesta cidade algo de bom, que via cinzento e sujidade.
Mas hoje até a sujidade característica da cidade se torna uniforme e a completa!
Ao contrário do que se pensa (ou do que eu pensava!) Precisei de chegar a Atenas e sonhar com viagens a outros tempos, para voltar a Sófia e vê-la com novos olhos.
Em Atenas esperava monumentos e antiguidades mal pusesse um pé naquele chão. Mas realmente é preciso conhecer a sua história para saber que a cidade foi construída em domínio do turismo e de se tornar uma metrópole. Ao conhecer a parte antiga (e talvez pelo grande choque e diferença) se consegue conhecer e descobrir o antigo.
Aqui em Sófia tudo é antigo! (talvez fosse esse o motivo para não gostar!)
De certo modo é parada no tempo esta cidade!
Conseguimos ver “clássicos” em cada campo de visão.
A sujidade designa “falta de mudança” e Sófia assim se identifica.
Mas ao ver-se a Universidade de Sófia, imponente, bem demarcada na cidade, tudo o que é importante nos salta à vista.
Parlamento, Biblioteca Nacional, Catedral Alexander Nevsky, Igrejas como não imaginam, museus de tudo (tenho o privilégio de estar sentada num lugar ao sol! Este lugar que todos procuram para se aquecerem nesta cidade, com vista para o Museu de arte estrangeira! Prometo que lá iremos Rita!)
Enquanto oiço “Deolinda” e me lembro da cores de Portugal, “do ccb gosto da vista, da Gulbenkian o jardim”, de Lisboa, a tentativa de fugir e sonhar com o nosso cheiro, é facilmente ultrapassada pela praça que se demonstra à minha volta!
Jardins, praças, folhas secas, velhinhos, músicos tradicionais, jovens ritmados, sumos de laranja (laranja em búlgaro diz-se “portukal”), bancas com tudo o que se vende no mundo, contornam os monumentos, enfeitam todo o efeito neoclássico que Sófia continua a ter!
Agora sim… A cidade começa-se a apresentar!
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2 comentários:
Olha que engraçado... também oiço tanta vez "Deolinda" por estes lados... talvez pr me fazer lembrar, mais do que qualquer outra música, Portugal, não sei!
Epá, não é por nada, por mais mal que digas, ou melhor, dissesses dessa cidade sempre tive vontade de ir aí ter convosco para a conhecer! Aguentem-se lá um ano que é para eu ir aí no segundo semestre! Kiddin'!!
Já não era sem tempo, Velha do Restelo!!
Esta sujidade e flora descontrolada que me trás à memória tanto Brasil, este contraste entre Burocracia e cidade a crescer ao Deusa-dará desorganizada: tudo marcas indeléveis (para já, vá lá..) do, tão presente na feirinha em frente da bela Basílica Alexander Nevsky, comunismo. Enfim, vivendo e aprendendo.
O professor Draganov revelou-se um amoroso avozinho, querido, interessado e preocupado. Contou-me a Joana. Que bom!
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