terça-feira, 10 de março de 2009

Abreu Lima

“Ah! É uma Joaninha!”
Estou no comboio Budapeste – Liubliana. Chegaremos às 21:30 depois de mais ou menos 9 horas de viagem.
O comboio é antigo, os bancos bem confortáveis, Rita, Becas e Beny (por ordem de que sigo o meu olhar) encontram-se com os bancos esticados a dormir em cima uma das outras. A entrada no comboio foi mais do que um filme, ou mesmo, de impossível discrição. O sentimento de adrenalina foi a todas comum e depois de recuperar o fôlego, o riso foi espontâneo!
Enquanto a Benedita agarrava o comboio (pensando que o puxava, tanta força que ela nos esconde) a Becas corre louca sem saber como fazer para parar o comboio de um lado para o outro, “para a frente avisar o motorista?” “para trás e fico com elas?”. A Rita estafada conta o ritmo do comboio a andar e dos seus passos para poder saltar (mergulhar) enquanto a Benedita a ultrapassa para puxar a Joana. Os vários sentimentos de vitória (reli a descrição e está realmente fraca). “Já cá tou Beny!” Agarra-me como quem diz “Se ficas eu também fico” A velocidade aumenta… a porta fechou! “As pernas da Joana?” “Ah! Estão aqui!”
Dos melhores momentos que já me aconteceram. Passaram agora 4 horas e conseguimos acalmar, tirar fotografias, conversar com o revisor mais castiço do leste que nos dá a sua morada e toma muito bem conta de nós.
Estou a ouvir “Deolinda” e a tentar ler uma revista Húngara (mas porquê que não trouxe um livro para a viagem? “Ah! encontrei uma página com uma Joaninha!”) e a pensar no que estamos realmente a viver! “A ânsia de partir, a ânsia de chegar, a vontade de ficar” Encontrámo-nos com a Benedita em Bratislava depois de 15 horas num autocarro bem estranho. Ela vinha com o cheirinho português, as suas expressões e sorriso! Máquina em punho, mochila xpto e o seu mais elaborado “xitex”.
Muita conversa para ter, abraços para dar, o quente que embala “Isto está mesmo a acontecer”.
Penso que tanto nos passa ao lado, que não vivemos sequer 40% do que deveríamos! Tenho muito medo.
Saber aproveitar e saborear tudo o que tenho oportunidade. De Bratislava o gostinho cresceu e o “bichinho” cá dentro deslumbrava-se com o que ia acontecendo. A calma da cidade levou-nos então a Budapeste. Uma viagem rápida e confortável, forças repostas, hostel encontrado, “bora lá sair!”.
Depois de conhecer o Leonardo, músico brasileiro, a indicação era para um bar com música ao vivo e algum do tradicional espírito húngaro.
A noite não podia ter corrido melhor! As danças de uma alegria enorme, cada vez mais a expressão “só vivendo”.
O dia seguinte teve muita história e visita. Em Buda, em Peste, as diversas áreas que compõem a cidade. A Alex!
Um dia em cheio! (só clichés)
“Ainda há um bar que temos de conhecer”. Rita e Abreu Lima não pensam em perder o que seja.
Acordar cedinho e aproveitar a Igreja de St. Stefan para uma horinha de missa, ou uma horinha para rezar e agradecer um bocadinho.
“Onde está a Becas?” “Temos de comprar qualquer coisa para comer!” “Já vamos chegar atrasadas ao comboio!”
Mau feitio, correrias, táxis, surpresas, e “Ai! Está na hora!”
A Beni salta do táxi para parar o comboio e as três erásmicas vão de seguida confiantes que a Beny move o mundo.
“two minutes! Ma friends are coming! One minute! They are here!!”
“O COMBOIO!!!” grito geral.
Não tentarei descrever de novo, mas entrámos e aqui estamos já fora de adrenalina para mais um destino.
Estar com a Beny está-me a deixar muito cheia, calma e confiante. Ainda só passaram 3 noites, ao escrever no seu Diário de Bordo comentou “Ainda temos uma semana!”
Depois da piadinha parva e o típico “Boring!” ao seu comentário só penso “Que bom! Fogo! Que afortunada!”
As páginas com espaço em aberto acabaram e os relatos vão-se tornando histórias na minha cabeça que me embalam.
Até já amiguinhos!
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Escrevi dia 22 de Fevereiro.
Muito se passou depois.
Liubliana provavelmente seria o meu próximo Erasmus (destes que agora conheci), o querer voltar penso que fica em todos, o “Há sempre mais para ver e descobrir!”.
Ficámos num hostel todo catita (e o mais caro) onde até almoço tivemos direito!
Tinha um grupo de franceses e a Beni mais uma vez brindou-nos com os seus dotes!
Apetitosa para se ir no verão e dar vários passeios de bicicleta.
Passámos lá dia 23, não parei de pensar na minha mãezinha: Parabéns!
Parámos uma hora em Zagreb a caminho de Sarajevo, pouco ou nada vimos, “onde é a casa de banho?” Um senhor muito simpático, e comboio outra vez.
A Bósnia com toda a sua história já era por nós falada nas diferentes perspectivas. Medos, anseios, dúvidas, desconhecido, inconsciência.
Passámos apenas um dia, onde no final descobrimos o “spot” mais encantador, foi pena ser já no final. Ainda aprendemos um bocadinho mais sobre a história e guerra e conseguimos completar a imagem visual que toda a cidade apresenta (os prédios com as marcas, a cidade bem danificada e representativa), faz sempre bem.
Seguimos ainda essa noite para o Montenegro, não tínhamos noção do que nos esperava.
Conversas com companheiros de viagem, “será que nos pode ajudar quando lá chegarmos? Não temos onde dormir, não sabemos onde é o hostel, mas temos a morada!”
E lá ficámos protegidas por um Bodyguard, ai não, por um Bodybuilding! (Falas com ele quando o rabo for maior que o seu corpo todo não é Beni?)
Conhecemos então a capital, bonita e simples, mas sem surpresas e partimos para Kotor.
Simplesmente paradisíaco, um sonho. Ainda mal tínhamos entrado na cidade e já tirávamos fotografias a todos os cantos e paisagens. Mal nós sabíamos o que nos esperava.
Uma grande viagem para se fazer, marquem num qualquer papelinho para um dia visitarem.
Ainda não danificado pelo turismo e por isso a sua natureza e pureza totalmente representada, ao mesmo tempo preparada para receber os “turis” e por isso os preços assim se identificam.
Queríamos ter ficado mais, infelizmente sabe sempre a pouco, ou felizmente, tanto mais há para ver!
Um bocadinho em Perast e seguimos de novo para Podgorica, a capital, e fomos para o Kosovo.
Último destino, muito cansaço e descobrimento, muita história e cada vez menos receios.
É realmente como se espera, mas deve ter tanto mais para se ver e descobrir, só lá passámos uma horas e não deu para muito, conhecemos Prizren. Um real país de leste e com a guerra passada por ele ainda há pouco tempo. Pobreza e miséria, diferentes formas de vida… Aquele bichinho a remexer cá dentro…
E de volta a Sófia, uma viagem bem comprida, uma chegada bem inesperada, “We are in the middle of nowhere! No way we stay here!”
Lá chegámos aos quartos, ainda jantámos (eram 1:30 da manhã?) umas horinhas de sonho porque Sófia tem os seus encantos e a Benedita não quer perder nada.
O cansaço revelou-se mais fraco que nós e ainda demonstrámos um apetitoso lado da Bulgária à Beny.
Últimas escritas e alguns pedidos para Portugal, um abracinho com aquela força, e lá foi ela!
Obrigado por estes dias De Abreu de Lima!

3 comentários:

Perru sj disse...

que bom...

Anónimo disse...

Finalmente! Já tínhamos saudades da vossa escrita... Adorei ter um cheirinho da vossa viagem, das vossas emoções, das vossas experiências, mas mesmo assim soube a pouco. Escrevam mais! Beijinhos para as duas

Catarina disse...

Bem... que aventuras as vossas...! Muito bom, mesmo!! Aproveitem, raparigas, aproveitem!!!!
Beijinhos