“Ah! É uma Joaninha!”
Estou no comboio Budapeste – Liubliana. Chegaremos às 21:30 depois de mais ou menos 9 horas de viagem.
O comboio é antigo, os bancos bem confortáveis, Rita, Becas e Beny (por ordem de que sigo o meu olhar) encontram-se com os bancos esticados a dormir em cima uma das outras. A entrada no comboio foi mais do que um filme, ou mesmo, de impossível discrição. O sentimento de adrenalina foi a todas comum e depois de recuperar o fôlego, o riso foi espontâneo!
Enquanto a Benedita agarrava o comboio (pensando que o puxava, tanta força que ela nos esconde) a Becas corre louca sem saber como fazer para parar o comboio de um lado para o outro, “para a frente avisar o motorista?” “para trás e fico com elas?”. A Rita estafada conta o ritmo do comboio a andar e dos seus passos para poder saltar (mergulhar) enquanto a Benedita a ultrapassa para puxar a Joana. Os vários sentimentos de vitória (reli a descrição e está realmente fraca). “Já cá tou Beny!” Agarra-me como quem diz “Se ficas eu também fico” A velocidade aumenta… a porta fechou! “As pernas da Joana?” “Ah! Estão aqui!”
Dos melhores momentos que já me aconteceram. Passaram agora 4 horas e conseguimos acalmar, tirar fotografias, conversar com o revisor mais castiço do leste que nos dá a sua morada e toma muito bem conta de nós.
Estou a ouvir “Deolinda” e a tentar ler uma revista Húngara (mas porquê que não trouxe um livro para a viagem? “Ah! encontrei uma página com uma Joaninha!”) e a pensar no que estamos realmente a viver! “A ânsia de partir, a ânsia de chegar, a vontade de ficar” Encontrámo-nos com a Benedita em Bratislava depois de 15 horas num autocarro bem estranho. Ela vinha com o cheirinho português, as suas expressões e sorriso! Máquina em punho, mochila xpto e o seu mais elaborado “xitex”.
Muita conversa para ter, abraços para dar, o quente que embala “Isto está mesmo a acontecer”.
Penso que tanto nos passa ao lado, que não vivemos sequer 40% do que deveríamos! Tenho muito medo.
Saber aproveitar e saborear tudo o que tenho oportunidade. De Bratislava o gostinho cresceu e o “bichinho” cá dentro deslumbrava-se com o que ia acontecendo. A calma da cidade levou-nos então a Budapeste. Uma viagem rápida e confortável, forças repostas, hostel encontrado, “bora lá sair!”.
Depois de conhecer o Leonardo, músico brasileiro, a indicação era para um bar com música ao vivo e algum do tradicional espírito húngaro.
A noite não podia ter corrido melhor! As danças de uma alegria enorme, cada vez mais a expressão “só vivendo”.
O dia seguinte teve muita história e visita. Em Buda, em Peste, as diversas áreas que compõem a cidade. A Alex!
Um dia em cheio! (só clichés)
“Ainda há um bar que temos de conhecer”. Rita e Abreu Lima não pensam em perder o que seja.
Acordar cedinho e aproveitar a Igreja de St. Stefan para uma horinha de missa, ou uma horinha para rezar e agradecer um bocadinho.
“Onde está a Becas?” “Temos de comprar qualquer coisa para comer!” “Já vamos chegar atrasadas ao comboio!”
Mau feitio, correrias, táxis, surpresas, e “Ai! Está na hora!”
A Beni salta do táxi para parar o comboio e as três erásmicas vão de seguida confiantes que a Beny move o mundo.
“two minutes! Ma friends are coming! One minute! They are here!!”
“O COMBOIO!!!” grito geral.
Não tentarei descrever de novo, mas entrámos e aqui estamos já fora de adrenalina para mais um destino.
Estar com a Beny está-me a deixar muito cheia, calma e confiante. Ainda só passaram 3 noites, ao escrever no seu Diário de Bordo comentou “Ainda temos uma semana!”
Depois da piadinha parva e o típico “Boring!” ao seu comentário só penso “Que bom! Fogo! Que afortunada!”
As páginas com espaço em aberto acabaram e os relatos vão-se tornando histórias na minha cabeça que me embalam.
Até já amiguinhos!
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Escrevi dia 22 de Fevereiro.
Muito se passou depois.
Liubliana provavelmente seria o meu próximo Erasmus (destes que agora conheci), o querer voltar penso que fica em todos, o “Há sempre mais para ver e descobrir!”.
Ficámos num hostel todo catita (e o mais caro) onde até almoço tivemos direito!
Tinha um grupo de franceses e a Beni mais uma vez brindou-nos com os seus dotes!
Apetitosa para se ir no verão e dar vários passeios de bicicleta.
Passámos lá dia 23, não parei de pensar na minha mãezinha: Parabéns!
Parámos uma hora em Zagreb a caminho de Sarajevo, pouco ou nada vimos, “onde é a casa de banho?” Um senhor muito simpático, e comboio outra vez.
A Bósnia com toda a sua história já era por nós falada nas diferentes perspectivas. Medos, anseios, dúvidas, desconhecido, inconsciência.
Passámos apenas um dia, onde no final descobrimos o “spot” mais encantador, foi pena ser já no final. Ainda aprendemos um bocadinho mais sobre a história e guerra e conseguimos completar a imagem visual que toda a cidade apresenta (os prédios com as marcas, a cidade bem danificada e representativa), faz sempre bem.
Seguimos ainda essa noite para o Montenegro, não tínhamos noção do que nos esperava.
Conversas com companheiros de viagem, “será que nos pode ajudar quando lá chegarmos? Não temos onde dormir, não sabemos onde é o hostel, mas temos a morada!”
E lá ficámos protegidas por um Bodyguard, ai não, por um Bodybuilding! (Falas com ele quando o rabo for maior que o seu corpo todo não é Beni?)
Conhecemos então a capital, bonita e simples, mas sem surpresas e partimos para Kotor.
Simplesmente paradisíaco, um sonho. Ainda mal tínhamos entrado na cidade e já tirávamos fotografias a todos os cantos e paisagens. Mal nós sabíamos o que nos esperava.
Uma grande viagem para se fazer, marquem num qualquer papelinho para um dia visitarem.
Ainda não danificado pelo turismo e por isso a sua natureza e pureza totalmente representada, ao mesmo tempo preparada para receber os “turis” e por isso os preços assim se identificam.
Queríamos ter ficado mais, infelizmente sabe sempre a pouco, ou felizmente, tanto mais há para ver!
Um bocadinho em Perast e seguimos de novo para Podgorica, a capital, e fomos para o Kosovo.
Último destino, muito cansaço e descobrimento, muita história e cada vez menos receios.
É realmente como se espera, mas deve ter tanto mais para se ver e descobrir, só lá passámos uma horas e não deu para muito, conhecemos Prizren. Um real país de leste e com a guerra passada por ele ainda há pouco tempo. Pobreza e miséria, diferentes formas de vida… Aquele bichinho a remexer cá dentro…
E de volta a Sófia, uma viagem bem comprida, uma chegada bem inesperada, “We are in the middle of nowhere! No way we stay here!”
Lá chegámos aos quartos, ainda jantámos (eram 1:30 da manhã?) umas horinhas de sonho porque Sófia tem os seus encantos e a Benedita não quer perder nada.
O cansaço revelou-se mais fraco que nós e ainda demonstrámos um apetitoso lado da Bulgária à Beny.
Últimas escritas e alguns pedidos para Portugal, um abracinho com aquela força, e lá foi ela!
Obrigado por estes dias De Abreu de Lima!
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3 comentários:
que bom...
Finalmente! Já tínhamos saudades da vossa escrita... Adorei ter um cheirinho da vossa viagem, das vossas emoções, das vossas experiências, mas mesmo assim soube a pouco. Escrevam mais! Beijinhos para as duas
Bem... que aventuras as vossas...! Muito bom, mesmo!! Aproveitem, raparigas, aproveitem!!!!
Beijinhos
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